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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Crepúsculo Vespertino

CAPÍTULO 3

Resposta na luz

- Oh meu deus! Quer dizer então que aquele punhado de túmulos que se encontra logo mais ao norte não faz parte de um cemitério!? Aquele local é realmente onde sua tribo fora extinta!? Que terror abissal!
E quem são essas criaturas que a rodeiam!?
- Bem, deixe-me explicar. Quando me recobrei e vi toda devastação, perdi meu chão. Fiquei totalmente desolada. Senti-me fria e sozinha. Porém não tive muito tempo para reflexões, pois logo pude perceber as magias sendo invocadas e lançadas ali perto. O combate se dava a oeste. Decidi tomar o rumo contrário.

Adentrei a densa floresta e encontrei uma estreita caverna, onde fiz morada por 5 noites e 5 dias. Nesse tempo, cogitei meu suicídio de diversas maneiras, mas nenhuma delas me faria mais digna. Foi quando me surgiu uma ideia que, por mais loucura que fosse, era talvez minha única chance de rever minha família...

- O feitiço da ressurreição dos mortos!?
- Sim! Claro, com os Elfos vivendo tão próximos a mim e agora que muitos deles estavam sendo mortos nas batalhas, com certeza eles fariam das tribos locais unidades de guerra. Por ser mulher e ser tão frágil, achei que me colocariam na horda dos magos. Pelos deuses, eles haviam vencido a batalha, mas não a guerra. Desesperados e receando a volta dos Dilaceradores, me aceitaram de prontidão, mas eu senti logo que não era aquilo que eu esperava.

Os primeiros dias foram extremamente rápidos, tal qual eu deveria aprender um monte de magias e a dominá-las também. Mas, com o passar das semanas, os Elfos-Bruxos perceberam que não haveria mais guerra. Comecei a perceber seus olhares maliciosos para cima de mim. Cada vez que eu me descuidava e revelava alguma parte a mais do meu corpo, sentia seus hormônios a flor da pele e via como seus olhos consumiam o meu corpo. Eu já estava ali. Não pretendia fugir. Com o que haveria de acontecer, tomei proveito da situação.

Eu queria me aprofundar o máximo possível nas habilidades de magia branca e só uma criatura ali poderia me ensinar isso. Fui ter então com o Elfo chefe, o majestoso Dan Searl, e me pedi que me ensinasse o zênite dos ensinamentos da magia branca: O feitiço da ressurreição dos mortos. Em troca, eu o daria meu corpo noites e noites, até que enfim eu pudesse dominar o feitiço.

O ancião, sedento de luxúria e prazer, acordou instantaneamente, o que pra mim fora um alívio. Ele pervertidamente me chamava de Crepúsculo Vespertino, tal qual meu cabelo era ruivo e meu corpo nu lindo e deleitoso de se ver. Mas como o feitiço era o pico da hierarquia, demorei esses dois anos em treinamento. Porém, após isso, até que enfim me encontrava mais uma vez onde se localizava a minha aldeia. Somente jazia ali a vasta imensidão de túmulos, que o senhor citara anteriormente. Bem, então eu estava pronta pra invocar a minha querida família à vida.

Crepúsculo Vespertino

CAPÍTULO 2

Massacre

- Antes de me deitar, naquela noite, eu me lembro de ter sentido um calafrio muito intenso. Não quis revelar esse sentimento a ninguém. Não compartilhei do meu medo, do meu possível “presságio”, com qualquer pessoa de casa. Talvez tenha sido esse meu primeiro erro.
Meus pais e meus dois irmãos deitaram-se e pareceram dormir logo. Algo me incomodava tão intensamente que não conseguia me aquietar. Não a princípio. Logo recitei alguns versos da “cantiga aos deuses”, que era uma antiga canção que minha mãe entoava pra me fazer dormir. Meus olhos enfim lentamente se entregavam ao sono. Mas foi então que acordei... Naquela maldita noite!

- Não me diga que você é uma das sobreviventes do grande massacre que ocorreu por essas redondezas anos atrás!?
- Sim. Infelizmente sou. Quem me dera ter falecido junto aos meus entes queridos para que agora pudéssemos estar no paraíso.
- E o que houve, minha jovem!? Digo, o que lhe acordara naquela noite fora realmente o início da batalha!?
- Não exatamente. A batalha estaria para começar. De longe eu já comecei a escutar o som dos terríveis bramidos amedrontadores dos Dilaceradores. Como eu não os conhecia, imaginei ser o vento uivando maleficamente noite afora. Só me dei conta de que era algo ruim quando eles já estavam próximos demais do nosso casebre. Não precisei nem sequer acordar meu pai ou o resto dos moradores da tribo, pois os demônios já se enfiavam por entre nós e destruía a tudo e a todos. Eram muito brutos, enormes, com garras e dentes afiadíssimos e olhos demoníacos. Eles matavam as pessoas com um ou dois golpes no máximo! Sentiam um prazer diabólico pela degola, principalmente. Meu pai berrou para que eu fugisse com meus dois irmãos instantaneamente, sem olhar para trás. Ele já sabia que morreria, mas queria que nós escapássemos. Minha mãe já se encontrava morta e eu nem sabia.

Bem, agarrei os dois que estavam perto. Meu coração estava disparado. Ganhei forças sobre-humanas naquele instante. Meus pés se aligeiraram inimaginavelmente. Enquanto jorrava-se sangue pra todos os lados, os gritos de pavor e morte ecoavam por todos os cantos. Os malditos tentavam pular sobre mim, mas eu me esquivava certeiramente. Tudo o quanto descrevo, não passaram de alguns segundos. O suficiente para o vilarejo se emudecer, pois muitos já se deitavam mortos.

Constrangida por isso, cometi um gravíssimo erro, da qual não me perdoo até hoje: Fui meter-me de olhar para trás e o que vi fora a decapitação do meu próprio pai. Minha vista embaçou nesse segundo de tão atordoada que fiquei e me desorientei por alguns instantes, suficientes para causar minha queda e, é claro, a dos meus dois irmãos que estavam em meus braços.

Tive um forte choque com uma rocha ou árvore, não me lembro, mas só sei que desmaiei. Para a minha maldição, quando me recobrei, horas mais tarde, dei que me encontrava em uma gigantesca banheira de sangue, uma imensidão de corpos estirados e em grande maioria degolados.
Meus irmãos, meus pobres irmãos, encontravam-se caídos um pouco mais a minha frente. De certo, tentaram fugir, mas em vão. Os Dilaceradores fizeram jus ao título e desfiguraram-nos completamente. Com certeza a pior cena da minha vida.

Crepúsculo Vespertino

CAPÍTULO 1

Samira, o velho e as castas

- Por favor, deixe-me entrar! – Suplicou Samira.
- Tire essas coisas imundas e horripilantes daqui! - Dizia o velho enojadamente, tamanha repugnância pelas criaturas.
- Por favor, meu bom senhor! Não há tempo para explicações!
- Ora sua...
E o velho, que estava a retrucar, de súbito se calou. Devido ao som de terrificantes gritos que vinham do escuro e misterioso horizonte, da qual não se enxergava muito, graças à densa neblina.
- Meta-te aqui dentro mulher! – Dizia puxando o braço dela que caiu ao chão pela brutalidade do ato. E com ela, eles.

O velho não foi nenhum pouco hospitaleiro. Não oferecera cadeira, comida, água, nada. Estava aflito. Ansioso para saber o que se passava.
- Conte-me logo, garota. Quem são essas criaturas bizarras?! Que sons macabros eram aqueles!? Não me diga que...
- Acalme-se, bom senhor. Pelo menos por enquanto. Deixe que eu me apresente e agradeça pela hospitalidade de me receber.
E então, Samira contou-lhe sua história, que fora bem resumida, mas que eu os contarei mais detalhadamente:

Há pouco mais de dois anos, uma casta grotesca havia penetrado a região, querendo se disseminar a todo canto. A ideia, a princípio, era se instalar pacificamente e conhecer as tribos dominantes e só então partir para uma investida.

Essa casta não se intitulava como tal, mas eram conhecidos como os “Dilaceradores”, pelo fato de serem mui agressivos nas batalhas. E também por virem dominando muitas províncias ultimamente.
Os Elfos-Bruxos, tribo dominante local, souberam da chegada e, sem muita demora, também sobre os boatos acerca, inclusive que são praticamente imunes a quaisquer magias (devido a um processo de evolução que os aperfeiçoaram durante centenas de anos).

Os Elfos-Bruxos eram exímios manipuladores de magia, principalmente as de batalhas e maldições (negras), mesmo sendo comumente pacíficos. Sabiam que uma hora teriam que se fazer valer de sua habilidade para a sobrevivência.
Porém, como antes dito, os Dilaceradores são semi-imunes à magia. Os Elfos foram forçados a afiar suas espadas e flechas e investir o quanto antes numa batalha, a fim de manterem-se vivos.

Samira não fazia parte da casta dos Elfos. Tampouco dos Dilaceradores. Tribos menores viviam região afora e ela fazia parte duma delas. Muitas não tinham porte físico exuberante para batalha. Na verdade, enquanto os Elfos se intitulavam como os defensores da província e mantinham-se dentro de padrões de treinamentos de guerra, as tribos eram oprimidas a produzirem sustento a eles. Inclusive a taxa de natalidade era rigorosamente controlada.

Bem, os Elfos preferiram engajarem-se na calada da noite para pegar os inimigos desprevenidamente. Com medo de que o plano fosse descoberto, optaram por não avisar as tribos alheias, a fim de evitar que alguma informação escapasse. Infelizmente, à contramão já vinham os Dilaceradores para o combate. A zona de choque se deu próxima aonde se encontrava a pacífica tribo de Samira, pobres fazendeiros.

Apresentação

FANTASIA!

Como ela funciona eu não sei...

Digo, nosso cérebro simplesmente consegue criar (ou pelo menos, acoplar ) ideias, imagens e sons, criando contos, histórias, quadros, obras de arte, concertos, óperas, esculturas, desenhos, pinturas, músicas e o que mais os seres humanos puderem fazer.
Ou será toda essa beleza resplendorosa chamada ARTE, uma simples expressão do cotidiano na mais bela forma!?
Ou será que uma entidade superior nos incorpora de tal forma que viramos instrumentos vivos em suas mãos a fim de passar mensagens e expressões deles!?

Não importa qual seja a sua interpretação ou opinião sobre isso, todos adoramos ARTE. Gosto de expressá-las em músicas e em contos, sendo que a segunda me é nova. Espero que gostem de ler e apreciem o desenvolvimento dos contos que buscarei profundamente vincilhar ao meu cotidiano, experiências, imaginações e até mesmo me basear em algumas outras ARTES que já admirei!

Todas as críticas, sem exceções, serão profundamente bem-vindas.

Todos os contos eu postarei em minha conta no 4shared.com para que você possa fazer o download para impressão, se for do seu gosto.

Agradeço desde já a quem leu pelo menos essa minha primeira postagem. Até logo!